19 julho, 2018

Hidrogênio Locomoção (combustão interna rendimento)


Automóvel movido somente a água é um mito, mas é possível ser movido a hidrogênio


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Especialista descreve os prós e contras do “combustível do futuro”, uma alternativa sustentável
Desde as últimas décadas, o mundo tem se mostrado exigente quando o assunto é meio ambiente. Foi da preocupação em reduzir a emissão de poluentes na atmosfera, que se intensificou com a Revolução Industrial, e em otimizar a qualidade de vida que a população e as empresas automobilísticas têm se empenhado para alcançar o modelo ideal de veículo que não polua, não emita ruídos, não seja perigoso e nem tenha custo inacessível para a maioria da sociedade.
Não demora muito e algum novo cidadão afirma ter inventado o “carro movido a água”, o que não é totalmente viável segundo estudiosos. “O que pode acontecer é a substituição parcial do combustível fóssil por hidrogênio. Na molécula H2O, o grande responsável por gerar energia é o elemento hidrogênio (H). Para separar o hidrogênio do oxigênio é utilizado o processo de eletrólise – quebra da molécula por corrente elétrica. O gasto de energia neste processo é maior do que a quantidade produzida pelo hidrogênio para movimentar o veículo”, explica o engenheiro mecânico e professor universitário Silvio Shizuo.
Mas o que é possível e utilizado com frequência pelas visionárias indústrias são as chamadas células de combustível, com emissão zero de CO2. Estes veículos, também categorizados como elétricos, são movidos essencialmente por hidrogênio puro, líquido e em baixa temperatura. O elemento está armazenado em dois cilindros de alta pressão e quando liberado em pequenas quantidades encontra oxigênio no interior do mecanismo, causa uma pequena explosão e transforma sua energia química em energia elétrica. Após isso, envia a energia para o motor elétrico ou para a bateria.
A bateria tem a função de armazenar a energia da célula de combustível, a gerada pela frenagem nos momentos de desaceleração ou do calor dos gases do escapamento. Por exemplo, a energia dos freios que seria dissipada como calor é convertida em eletricidade para ser usado posteriormente, também no motor elétrico, e impulsionar o veículo. “Enquanto o rendimento do motor a combustão é de ¼, o motor elétrico a base de hidrogênio é de ¾. Ele acelera mais rápido. O produto final, que sai do escapamento, é água”, acrescenta o especialista.

Veículo movido a sistema de hidrogênio









O hidrogênio tem baixo peso molecular por não possuir células de carbono, é capaz de armazenar grande quantidade de energia, é incolor, inodoro e insípido. Com todos os benefícios apresentados é possível indagar: por que não é comum encontrar veículos movidos a hidrogênio nas ruas? Simples. O hidrogênio é um elemento químico extremamente poderoso para o rendimento do automóvel, mas perigoso e de alto custo para ser produzido e mantido.
Se ministrado em grandes quantidades e com muita pressão, o gás pode explodir, por isso deve ser manipulado com cuidado extra nas indústrias, além disso o hidrogênio costuma ser quatro ou cinco vezes mais caro que o diesel e etanol, por exemplo. Shizuo alerta que este não deve ser administrado por profissionais despreparados em postos de abastecimento e os postos precisam ser designados para abrigar apenas este combustível. Ainda, o hidrogênio deve ser armazenado em pontos estratégicos nos veículos, como embaixo do banco traseiro no caso dos carros de passeio, sobre o risco de explosão ao colidir o automóvel e apesar de a manutenção ser igual ou menor ao dos veículos com motor a combustão, sua bateria tem valor agregado maior. Este são os impedimentos para a fabricação em massa do combustível alternativo.
Por isso, para Shizuo, apesar de ser uma excelente resolução, o Brasil tem uma opção mais simples, economia e talvez mais eficiente. “Para mim, o etanol é o ‘melhor’ combustível no momento. É viável, econômico, já disponível no Brasil e, ao mesmo tempo que emite CO2, o gás carbônico emitido pelos veículos é reabsorvido durante a fotossíntese das plantações de cana de açúcar para a fabricação de álcool. Diferente do petróleo, por exemplo, que poluí e não reabsorve nada”, finaliza.
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Fogo da Paixão